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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Aguirre: apenas não te quero mais

Atlético (2) 2 x 1 (2) São Paulo - Crônica de Uma Tragédia Anunciada

Nessa vida de torcedor cronista te confesso, caro leitor, que escrever em uma eliminação não é das tarefas mais fáceis. Por um lado quero ter a inocência e a pureza do torcedor em dizer o que meu coração expressa. Se puder enumerar em algumas palavras, alguns sentimentos estes seriam: raiva, melancolia, frustração, amor ao meu clube, às minhas cores, e principalmente o orgulho de estar entre os meus. Mas por outro lado carrego a responsabilidade de entregar aos meus leitores algum conteúdo, uma análise, um tanto quanto fria, sistemática dos fatos que ocorreram durante os 90 minutos. Tentarei nesse breve relato ser um pouco dos dois, logo perdoem-me se falhar nessa tentativa, por que não é fácil. Uma eliminação da forma que ocorreu dói, como dói.

Fonte: Rodrigo Fonseca. Portal Superesportes
A escalação foi aquela que muitos não concordavam, mas todos já esperavam. 4-2-3-1 com Victor, Rocha, Erazo, L.Silva, D.Santos, Donizete, Eduardo, Patric, Carlos, Cazares e Pratto. O jogo começou inflamado, Horto em festa. Mosaico, papel picado e garganta muita garganta dos 20 mil atleticanos ali presentes. No embalo da arquibancada, e em um piscar de olhos com 11 minutos de jogo o placar estava 2x0, parecia que seria um jogo tranquilo, parecia. O primeiro gol nasceu de um pivô de Lucas Pratto para Marcos Rocha que carimbou para a rede, Denis rebateu e no rebote Cazeres abriu o placar; o segundo lance surgiu de um cruzamento açucarado de Douglas Santos para Carlos, que concluiu com frieza ao gol de Dênis.

Como nem tudo nessa vida pode ser perfeito a ducha de água fria veio logo na sequência. Escanteio para o São Paulo; bola no primeiro pau; sistema defensivo se embananou e o zagueiro Maicon, melhor jogador do São Paulo nos dois confrontos, carimbou para o fundo do gol de Victor - 2x1.

O Atlético precisava de apenas um gol, a torcida estava confiante, era apenas colocar a bola no chão e fazer o que sabemos de melhor. Pressionar, impor o jogo na força, no grito, no coração. O alvinegro teve chances: Pratto foi à trave; a bola pererecou pela área paulista inúmeras vezes com cruzamentos que partiam de todos os lados, mas sem sucesso. A torcida subia o tom, mas com o passar do tempo à bola mais parecia uma batata quente, os passes não saiam (Patric nesse quesito foi um pavor, péssimo dos péssimos) e os visitantes começaram a gostar do jogo, tanto que o São Paulo exigiu Victor uma defesa importante em chute cruzado de Calleri.

O primeiro tempo que havia começado fervendo, terminou morno. E a falta de produtividade ofensiva, principal crítica ao trabalho de Diego Aguirre veio à tona. O time precisava de apenas um gol, foi incompetente. Em outras épocas precisou de quatro e conseguiu a proeza, enfim deixo essa discussão para os últimos parágrafos.

Fonte: Portal Superesportes
O segundo tempo começou com uma alteração: Carlos novamente se lesionou, foi substituído pelo recém-chegado Carlos Eduardo. Mais qualidade no passe e menos eficiência nas conclusões. Nesse quesito a temperatura dos 15 minutos iniciais foi parecida com o do primeiro tempo. Pressão, torcida gritando alto e equipe no abafa. A saída de Carlos ali se mostrou prejudicial. O time notoriamente tinha mais controle do jogo, entretanto tocava, tocava, tocava e ninguém atendia o chamado. É incrível notar que o contestado jogador, quando colocado dentro da área pode render muito, até mais que o badalado Lucas Pratto. Carlos dentro da área foi mais centro avante que o Urso – Dura realidade. Novamente pós 15 minutos iniciais o time deu uma esfriada, o São Paulo puxava mais contra-ataques sendo inclusive perigoso em alguns deles. O time precisava de um fato novo, precisava de Clayton no lugar de Patric. Tal alteração ocorreu somente aos 25 do segundo tempo (mudança que devia ter sido procedida no intervalo não é Aguirre? Demorou demais para mexer na estrutura com o time precisando do resultado), e logo de cara o atacante chutou com perigo.
  
Fonte:Bruno Cantini. Atlético. Portal Hoje em Dia
Passaram-se 30, 35, 40 minutos e a angústia aumentava. Aos 41 um alento de esperança com a entrada de Jesus, o Dátolo. Um pouco mais de clarividência, mas o tempo já era escasso para um milagre. O juiz daria 5 minutos de acréscimo e os zagueiros viraram centroavantes. 45, 46, 47, 48 minutos. Era bate e volta, chutão do meio campo bola rebatida pela defesa do São Paulo, o grito de eu acredito não tinha tanta força, a torcida sabia que o time carecia de criatividade. Aos 49 minutos o general Donizete foi expulso, era a estocada final, não teríamos força. Mas como tudo na vida do Atleticano, seja nas vitórias, seja nas derrotas é sofrido. Aos 51 minutos falta próxima a área.  Torcida se agitava, alguns viraram de costas, outros rezaram. Para a surpresa de todo Horto, Lucas Pratto foi para a cobrança. Correu, bateu, bola na lua. Terminou o jogo. A torcida saiu do Horto cantando o hino, não em uma demonstração de satisfação, muito pelo contrário: Nove em cada dez atleticanos querem a cabeça do técnico e não aprovam o jogo praticado no primeiro semestre. Mas em uma demonstração de amor à entidade, ao sentimento, ao Galo Doido desse Brasil.

Fonte: Cristiane Matos. Portal Hoje em Dia
Se o estimado leitor ainda estiver com alguma paciência para alguns parágrafos, concluo esse texto com o seguinte desabafo: Com sinceridade, se fosse elencar os motivos dessa eliminação na Copa Libertadores, e consequentemente a conclusão do primeiro semestre alvinegro, poderia falar de mil detalhes. Como por exemplo, a maldita bola parada no primeiro pau, lance pré-escolar que nos custou dois gols, tanto no Morumbi quanto no Horto; poderia falar das ausências de titulares importantes: Robinho, Urso e Carioca fazem falta, o primeiro uma referência técnica, os outros dois os pulmões do meio campo; como também de algumas escolhas (duvidosas) do treinador para esse mata-mata.

Contudo tais fatores são meros detalhes, a eliminação do Atlético na Copa Libertadores começou a acontecer entre novembro e dezembro do ano passado na demissão de Levir Culpi. Explico melhor: O Atlético de 2012, 2013, 2014 e 2015 se notabilizou por ser um time de extrema intensidade ofensiva: marcação alta, intensa troca de posições, jogadas em velocidade, valorização da técnica, da habilidade e da improvisação. É evidente que o modelo tinha falhas (sim o time tomava muitos gols, mas fazia na mesma proporção – viradas impossíveis aconteceram), como todo esquema tem, porém, era um estilo que a torcida havia se habituado e se identificava, visto que é do DNA do Galo.

Perguntem aos mais velhos como do time de 71, ou da máquina dos anos 80. O Atleticano aprendeu a amar o futebol jogado no ataque.

Dada a demissão do cara mais legal do futebol brasileiro, a Diretoria em uma aposta arriscada confiou à Diego Aguirre (nosso algoz na última Libertadores – mania incrível de contratar quem eventualmente já nos derrotou em outras oportunidades) a responsabilidade de guiar o clube ao bi campeonato da competição mais importante das Américas. Um erro enorme, gigantesco, colossal. Aguirre é técnico de uma escola defensivista, o mais puro estilo charrua, portenho, de se brigar, de se posicionar, de chamar o adversário, sofrer na defesa para em uma estocada ganhar o jogo. Tal concepção funciona quando você é inferior tecnicamente, quando não dispõe de material humano suficiente para propor o jogo.

Quero deixar bem claro aos amigos leitores que entendo o jeito do Uruguaio de ver futebol, entendo inclusive que o mesmo foi eficiente em aplica-la em outros contextos, como por exemplo, a campanha da Libertadores de 2011 com o Peñarol, quando Aguirre com um time pra lá de limitado alcançou a final. Só para se ter base o craque daquele time era um tal de Martinuccio, que convenhamos é um jogador fraco.

Venhamos e convenhamos, uma mudança tão drástica de metodologias de trabalho não poderia de maneira alguma ser frutífera em tão curto prazo. Primeiro por que os jogadores teriam que aprender um jeito de disputar o jogo que nunca lhes foi comum, isso requer tempo, não se faz em 4/5 meses, não se faz em uma Libertadores. Segundo por que o Atleticano, culturalmente, jamais entenderia ou entenderá o jogo do Uruguaio. Jamais vai tolerar que Patric, um lateral limitadíssimo, jogue na linha de frente pelo fato de ser um dos poucos ali que fazem a tal da recomposição com eficiência. Foi chiadeira o primeiro semestre inteiro, e vai ser chiadeira até o ano acabar (se o uruguaio aqui permanecer).

Fonte: Portal Super Esportes
Eu humildemente faço minha meia culpa, visto que por um momento na competição me aventou a possibilidade que essa mudança (futebol mais defensivo) poderia ser positiva, poderíamos ter uma defesa mais forte, porém acho que talvez fosse o torcedor falando mais alto que o analista. De fato eu queria que o Atlético fosse campeão por que sou atleticano e Aguirre era nosso técnico, mas no fundo no fundo sabia que não ia acontecer, que a tal cornetagem tinha certo fundo de razão, que os críticos contumazes tinham seu ponto. Eu apenas não queria reverbera-los por estarmos em um momento crucial da temporada e por achar que torcedor tem que torcer.

Se fosse fazer uma conclusão dessa história toda tomaria a licença Poética de Lulu Santos na icônica música Tempos Modernos. Nossa temporada não foi tão ruim, mas também não foi tão boa assim. Aguirre não te quero mal (você é um excelente técnico, mas para outros clubes, outros contextos), apenas não te quero mais.
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2 comentários:

  1. #FechadocomAguirre Melhor do que qualquer um que ocê preferir, isso lhe garanto.

    Culpi? Duas eliminações seguidas nas 8ªs.

    Pacote? Nem vou comentar as lambanças que fez este ano no Verdão. Foi às 4ªs-de-final treinando a Raposa em 15 e 14, assim como nós agora. Só que seus resultados no Mineirão foram bem piores que o nosso no Independência.

    Ramalho? Passa o ano internado, vive de nome. Cabou de levar chocolate do Confiança, e se embananar ante o Fortaleza.

    Esse caô aí de atleticano se acostumou não cola, não, viu? Nós ganhamos a Conmebol de 1992 numa postura fechada em Assunção.

    Aliás, passamos do Newell's não pelos gols que fizemos no Horto. E sim pelos que não tomamos no Coloso del Parque.

    Esses atleticanos românticos nada aprenderam com 1977 até hoje? Repito-lhes o que digo sempre que voltam co'esses delírios de futebol ofensivo: é a retranca que leva a títulos. "Ataques marcam gols, defesas ganham campeonatos".

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    1. É um ponto de vista meu caro. E acho até que seus argumentos se sustentam bem. Eu inclusive tenho uma visão de futebol parecida. Contudo a memória de jogo do time é outra. É uma escolha de sofia para a diretoria. Manter o técnico, apostar em continuidade e quem sabe ano que vem brigar mais forte, ou retomar o DNA dos jogadores que tem com alguém mais ofensivo?

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