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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Bragantino não aproveita oportunidades e perde para o Luverdense em casa


O Bragantino amargou sua segunda derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro da Série B, dessa vez, derrotada em casa diante de um Luverdense bem postado defensivamente, pelo placar de 1 a 0. Diferentemente da partida de estreia, o Massa Bruta jogou muito bem, com ataques rápidos, movimentação e boas chances criadas, porém, faltou o mais importante: o gol. No primeiro tempo do Bragantino foi exatamente como o esperado: pressão para cima do adversário, e de fato, no primeiro tempo, a equipe mato-grossense se defendia do jeito que podia. O lateral direito Alemão finalizou de calcanhar, chutou para fora, o zagueiro Douglas Silva tentou de cabeça, o goleiro Gabriel Leite defendeu, Eliandro arriscou de longe e quase acertou o ângulo, e Edson Sitta ainda tentou um arremate de longe, novamente para fora.


Na segunda etapa, o técnico Léo Condé, mudou a proposta da equipe, e o time passou a criar jogadas com triangulação entre Thiago Santos, Leandro Oliveira e Eliandro, e logo aos 5 minutos de bola rolando, Zambi teve boa oportunidade de cabecear, porém o goleiro do Luverdense buscou a bola no canto. Aos 7 minutos, uma das melhores chances criadas do Braga: cruzamento de Alemão para Thiago Santos, mas o artilheiro finalizou para longe. Léo Condé percebeu que o ataque não estava fluindo, e colocou o centroavante Lincom no lugar de Eliandro, e logo em sequência, Léo Jaime no lugar de Thiago Santos, com a esperança de jogadas pelas laterais. Porém, aconteceu o imprevisto, e Lincom acabou sendo substituído por lesão no tornozelo, e assim, Jobinho entrou no seu lugar.

O Luverdense percebeu que o Bragantino não estava conseguindo o placar que queria e aproveitou muito bem sua única oportunidade de ataque. Hugo recebeu passe dentro da área, cortou para a direita e chutou cruzado para marcar o único tento da partida. A pressão no final não adiantou, e o Massa Bruta demonstra desconfiança na competição, duas derrotas em dois jogos, na zona de rebaixamento.


Na próxima partida o Bragantino enfrenta o Brasil de Pelotas, terça-feira 24 de maio de 2016, às 19h15 em Pelotas, no Estádio Bento Freitas, para tentar sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro Série B 2016, onde busca seu primeiro ponto.

Mateus Segur || @SegurMateus
Linha de Fundo || @SiteLF

(As fotos que ilustram a redação são todas de autoria do fotógrafo Rafael Moreira, e foram retiradas da galeria da página C.A Bragantino)

Tudo o que não precisávamos

Nunca é bom perder um jogo, não existe hora boa pra derrotas, mas se tinha uma hora ruim pra perder jogo era ontem, contra a Chapecoense. Vantagem no placar, adversário vindo de sequência de jogos, times nivelados, tínhamos tudo para conseguir pelo menos um empate e consequentemente a classificação, mas quando não é pra ser...

Cleber Santana amplia o marcador, 2 x 0. Fonte: ACF 
Os 11 iniciais escalados por Claudinei Oliveira tinha a base do time que ganhou os cinco jogos seguidos no começo do ano, apostava na velocidade de Robson, no talento de Nadson, na técnica de Valber e no oportunismo de Lucio Flavio. Com a vantagem do jogo de ida (2 x 1), a principal arma Tricolor deveria ser o contra ataque, contudo, toda a estratégia bolada por Claudinei foi por água abaixo logo aos 2’. Numa bobeira da zaga, Gil cruzou de longe e Kempes tocou de cabeça meio sem pretensão, mas a bola subiu e caiu dentro do gol de Marcos.

A situação não era das melhores, mas um gol paranista forçaria a Chapecoense ter que fazer mais dois para se classificar direto e não havia outra alternativa a não ser atacar. Rafael Carioca acertou a trave ainda no primeiro tempo. No segundo, Valber parou em Marcelo Boeck e Uchoa errou a pontaria nas melhores chances tricolores. No final do jogo Cleber Santana, também de cabeça, marcou o 2º da Chape e selou a classificação. Dener ainda foi expulso e jogamos os acréscimos com um a mais, mas simplesmente não era pra ser.

Fonte: ACF
O ‘recomeço de temporada’ Tricolor começou a preocupar bastante a torcida paranista. Dois jogos, duas derrotas, quatro gols sofridos, nenhum marcado. Onde estaria o erro? O que gerou a queda de rendimento tão brusca do time? O primeiro suspeito: Claudinei Oliveira. Pra começar ontem não foi a primeira vez que o treinador fez somente duas substituições na equipe. Seria isso falta de confiança em seus atletas ou falta de coragem de arriscar um pouquinho mais? Também não foi a primeira vez que estávamos atrás do placar ou precisando de gols e ele não mudou a forma da equipe jogar. Tá faltando ousar um pouquinho mais, Claudinei!

Outro ‘suspeito’, que influencia direto a vida de Claudinei Oliveira, é Vavá, diretor de futebol. Após o começo do ano, onde poucos, mas bons nomes chegaram, nessa intertemporada vimos a chegada de sete peças para posições que já estavam ‘fechadas’. Enquanto Robson e Lucio Flavio não tinham reservas, para a zaga chegaram Pitty, João Paulo e Leandro Silva, onde já tínhamos Alisson, Basso e Zé Roberto, fora os dispensados. Para a lateral direita temos dois jogadores, nenhum da posição. Para o ataque, com a chegada de Robert, só contamos com três jogadores. Então está na hora de se mexer um pouquinho mais no mercado e trazer pecar que possam agregar o elenco, não os ‘Murilo Rangel’ da vida.

Apesar de toda a ‘crise’ que se construiu nas últimas partidas, a nossa parte devemos continuar fazendo. A diretoria está fazendo de tudo para voltarmos ao auge, mas tudo isso só será possível se eu, se você e se a torcida paranista inteira abraçar a ideia. Vá a Vila Capanema no próximo sábado, cante, vibre e principalmente apoie o time para passarmos pelo Bahia. Como alguns já diriam, perdemos uma luta, mas não a guerra. Agora é foco total na série B, então VEM PRA VILA!

Fellipe Vicentini | @_FellipeS
#PRaCima

Náutico vence a primeira em jogo emocionante

Na terça o Náutico recebeu o Vila Nova-GO na Arena e o jogo foi muito emocionante, aconteceu tudo que tinha direito: confusão, jogo bom, expulsão, raça, jogadas bem feitas, passes errados e o mais importante, gols. O jogo que o Timbu poderia tornar fácil preferiu deixar os torcedores terem ataques cardíacos e morrerem do coração porque tem que ter a emoção pra conseguir a primeira vitória no campeonato. Forte dentro de “casa” o Timbu marcou os gols com Mateus Muller, Rafael Pereira e Jefferson Nem, os visitantes marcaram com Roger e Vandinho.

Náutico recebeu o Vila Nova e venceu a primeira
O primeiro tempo começou com as equipes adiantando a marcação, apertando e esperando o erro do adversário para roubar a bola e tentar fazer alguma jogada. Depois que o Náutico perdeu uma boa chance de abrir o placar, o time visitante abriu após a zaga não conseguir afastar da área, depois de uma enrolação a bola sobrou pra Roger que chutou, a bola desviou no Rafael Pereira e matou o goleiro alvirrubro. Só que o Náutico foi inteligente e não demorou muito para empatar, a falta era de longe e muitos torcedores viram só o estreante Mateus Muller na bola e pensaram “não bate direto, não bate direto” (assim como eu), mas ele chutou e fez um GOLAÇO, uma boa forma de começar jogando no Timbu. Depois o jogo pegou fogo, o zagueiro do Vila errou na tentativa de tirar a bola e sobrou para esquerdinha que tava saindo de frente pro gol, na hora de chutar o Bolt, não o jamaicano, tentou puxar e deslocou o meia alvirrubro, o juiz mandou seguir só que o assistente marcou a infração e começou a reclamação por parte dos alvirrubros, mas o juiz não sabia o que fazer e foi até o assistente, depois com o outro assistente que estava muito distante do lance e até com o quarto árbitro, no fim ele marcou a falta e expulsou o jogador do time goiano e começou a reclamação por parte deles, depois de 5 minutos paralisado o Mateus Muller foi para a cobrança e bateu bem, mas o goleiro defendeu. No final o Náutico com um a mais era todo ataque e não criava boas chances, o Vila tentava o contra ataque e só errava os passes. Praticamente no fim GOL do Timbu e a virada na Arena, Joazi tabelou lindamente com o estreante Maylson e saiu de frente pro goleiro adversário, ao invés de chutar ele driblou e foi derrubado, Rafael Pereira foi para a cobrança, chutou firme no meio e guardou o dele.

A confusão gerou uma grande polêmica e muita irritação na partida













O segundo tempo começou com tudo, logo no início o Timbu continuava tentando apertar a saída de bola e conseguiu, Vinicius Simon deu um passe e Jefferson Nem na intermediária roubou, saiu correndo, ninguém o segurou e saiu de frente para o goleiro que só fez tirar e GOOL, como um atacante realmente tem que fazer, botando o Timbu ainda mais confortável no placar. Logo depois o Náutico poderia começar uma goleada só que prefere sofrer, Esquerdinha roubou a bola e saiu de frente para o goleiro só que ele tirou muito a bola e foi para fora passando muito perto da trave. Para os torcedores morrerem do coração o Vila Nova diminuiu, Jean recebeu praticamente livre na direita e cruzou, no meio dos zagueiros Vandinho apareceu e de carrinho fez mais um para o tigrão. Depois de aproximadamente o atacante Bergson voltou ao campo, trocando passes com o Timbu no campo do adversário procurando aumentar o placar ele recebeu a bola e livre dentro da área chutou em cima da zaga, antes ele não tava acostumando a perder esse tipo de lance e ficou claro que ele está fora de ritmo, muito em conta de receber dois cartões amarelos e ser expulso em menos de 30 minutos. O Vila ainda poderia ter empatado depois de igualar o número de jogadores no campo se não fosse o Júlio César fazendo belíssima defesa no reflexo.

O jovem atacante alvirrubro marcou o terceiro gol, Jefferson Nem. Foto: Aldo Carneiro













Foi a primeira vitória no campeonato e em casa, onde o Timbu sempre é forte mesmo com a ausência da torcida que não faz questão de comparecer por muitos motivos, certos ou errados. Agora o Náutico vai enfrentar o Londrina no Estádio do Café na próxima terça (24/05) às 19h30. O técnico Galo precisa dar um jeito no meio campo para não deixar os espaços abertos, os volantes subiam muito e não existia proteção no contra ataque do adversário, além de dar um jeito nos atacantes marcarem para não sofrer no final da partida.

Escalação:

Náutico: Júlio César; Joazi, Rafael Pereira, Gastón Filgueira e Mateus Muller (Henrique); Maylson (Eurico), Rodrigo Souza, Roni, Esquerdinha (Bergson) e Caíque Valdívia; Jefferson Nem. Técnico: Alexandre Gallo.

Vila Nova - GO: Edson; Jefferson Feijão, Anderson, Vinicius Simon e Marcelo Cordeiro; Victor Bolt, Robston (Maguinho), Leandrinho (Fabinho), Jean Carlos e Roger (Douglas Assis); Vandinho. Técnico: Rogério Mancini.

Árbitro: Luiz César de Oliveira Magalhães
Assistentes: Arnaldo Rodrigues de Souza e Marcione Mardonio da Silva Ribeiro
Público: 1.514

“E se eu pudesse escolher outra vez eu seria Náutico de novo e de novo...”

Marcus Lamenha // @LamenhaMarcus

Três eliminações em cinco meses, qual é o objetivo?

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Falta pouco tempo para o fim do primeiro semestre, o primeiro com o Flamengo nas mãos de Muricy Ramalho. Qual é o saldo até agora? Três eliminações – Copa do Brasil, Campeonato Carioca e Primeira Liga –, um elenco que no papel serve, mas na prática não se encaixa e muitas desculpas na tentativa de justificar o injustificável.

Nesta quarta-feira (18), contra o Fortaleza, o Flamengo conseguiu o que acreditava ser impossível: mostrar a seu torcedor que os problemas de 2015 poderiam sim piorar. E foi desta forma que, em 180 minutos, o time foi driblado pelo persistente Leão e acabou eliminado sem nem tentar reagir. Vamos aos números – que, já aviso, são preocupantes.

Em 180 minutos, o Fortaleza conseguiu acertar cinco chutes no gol e quatro foram convertidos. Quatro. Quase todas as tentativas resultaram na desvantagem no placar final do confronto. Além disso, o Flamengo completou incríveis 440 cruzamentos no ano, marcando apenas oito gols de cabeça. São, em média, 55 tentativas até que saia um gol.

O time tem o jogador que mais acertou passes, Cuéllar com 99, que fez mais desarmes, Jorge com cinco, e fez mais finalizações no gol, Mancuello e Cirino com dois. Porém, ao mesmo tempo tem o que errou mais cruzamento, Rodinei com 13, mais perdeu a bola, Ederson com oito, e fez mais finalizações para fora, Willian Arão com quatro. O Flamengo acertou 550 passes e mandou sete chutes na direção do gol, mas quantos realmente assustaram Ricardo Berna? E as outras 12 oportunidades mandadas direto para fora?

Foto: Footstats
Não peço para o time jogar bonito, porque isso pouco importa. Em outras épocas fizemos jogo feio, mas vencemos e conquistamos coisas. A única coisa que realmente espero é um time que se encontre dentro de sua desorganização. Que não seja um bando correndo sem rumo e que não faz o menor sentido. Não exijo que sejam como o Barcelona ou qualquer outra equipe do tipo. Só quero mais Flamengo e menos o que quer que tenhamos virado.

O Brasileiro segue e logo começará a Sul-Americana, que ganhamos a vaga graças à eliminação. Se alguém comemorou a derrota pois "diminuiria o número de viagens", agora terá que encarar uma competição internacional. O que quer que aconteça daqui para frente precisa ser diferente do agora. Quantos erros o time ainda precisará cometer até que as coisas comecem a mudar?

Mariana Sá || @imastargirl 

Aguirre: apenas não te quero mais

Atlético (2) 2 x 1 (2) São Paulo - Crônica de Uma Tragédia Anunciada

Nessa vida de torcedor cronista te confesso, caro leitor, que escrever em uma eliminação não é das tarefas mais fáceis. Por um lado quero ter a inocência e a pureza do torcedor em dizer o que meu coração expressa. Se puder enumerar em algumas palavras, alguns sentimentos estes seriam: raiva, melancolia, frustração, amor ao meu clube, às minhas cores, e principalmente o orgulho de estar entre os meus. Mas por outro lado carrego a responsabilidade de entregar aos meus leitores algum conteúdo, uma análise, um tanto quanto fria, sistemática dos fatos que ocorreram durante os 90 minutos. Tentarei nesse breve relato ser um pouco dos dois, logo perdoem-me se falhar nessa tentativa, por que não é fácil. Uma eliminação da forma que ocorreu dói, como dói.

Fonte: Rodrigo Fonseca. Portal Superesportes
A escalação foi aquela que muitos não concordavam, mas todos já esperavam. 4-2-3-1 com Victor, Rocha, Erazo, L.Silva, D.Santos, Donizete, Eduardo, Patric, Carlos, Cazares e Pratto. O jogo começou inflamado, Horto em festa. Mosaico, papel picado e garganta muita garganta dos 20 mil atleticanos ali presentes. No embalo da arquibancada, e em um piscar de olhos com 11 minutos de jogo o placar estava 2x0, parecia que seria um jogo tranquilo, parecia. O primeiro gol nasceu de um pivô de Lucas Pratto para Marcos Rocha que carimbou para a rede, Denis rebateu e no rebote Cazeres abriu o placar; o segundo lance surgiu de um cruzamento açucarado de Douglas Santos para Carlos, que concluiu com frieza ao gol de Dênis.

Como nem tudo nessa vida pode ser perfeito a ducha de água fria veio logo na sequência. Escanteio para o São Paulo; bola no primeiro pau; sistema defensivo se embananou e o zagueiro Maicon, melhor jogador do São Paulo nos dois confrontos, carimbou para o fundo do gol de Victor - 2x1.

O Atlético precisava de apenas um gol, a torcida estava confiante, era apenas colocar a bola no chão e fazer o que sabemos de melhor. Pressionar, impor o jogo na força, no grito, no coração. O alvinegro teve chances: Pratto foi à trave; a bola pererecou pela área paulista inúmeras vezes com cruzamentos que partiam de todos os lados, mas sem sucesso. A torcida subia o tom, mas com o passar do tempo à bola mais parecia uma batata quente, os passes não saiam (Patric nesse quesito foi um pavor, péssimo dos péssimos) e os visitantes começaram a gostar do jogo, tanto que o São Paulo exigiu Victor uma defesa importante em chute cruzado de Calleri.

O primeiro tempo que havia começado fervendo, terminou morno. E a falta de produtividade ofensiva, principal crítica ao trabalho de Diego Aguirre veio à tona. O time precisava de apenas um gol, foi incompetente. Em outras épocas precisou de quatro e conseguiu a proeza, enfim deixo essa discussão para os últimos parágrafos.

Fonte: Portal Superesportes
O segundo tempo começou com uma alteração: Carlos novamente se lesionou, foi substituído pelo recém-chegado Carlos Eduardo. Mais qualidade no passe e menos eficiência nas conclusões. Nesse quesito a temperatura dos 15 minutos iniciais foi parecida com o do primeiro tempo. Pressão, torcida gritando alto e equipe no abafa. A saída de Carlos ali se mostrou prejudicial. O time notoriamente tinha mais controle do jogo, entretanto tocava, tocava, tocava e ninguém atendia o chamado. É incrível notar que o contestado jogador, quando colocado dentro da área pode render muito, até mais que o badalado Lucas Pratto. Carlos dentro da área foi mais centro avante que o Urso – Dura realidade. Novamente pós 15 minutos iniciais o time deu uma esfriada, o São Paulo puxava mais contra-ataques sendo inclusive perigoso em alguns deles. O time precisava de um fato novo, precisava de Clayton no lugar de Patric. Tal alteração ocorreu somente aos 25 do segundo tempo (mudança que devia ter sido procedida no intervalo não é Aguirre? Demorou demais para mexer na estrutura com o time precisando do resultado), e logo de cara o atacante chutou com perigo.
  
Fonte:Bruno Cantini. Atlético. Portal Hoje em Dia
Passaram-se 30, 35, 40 minutos e a angústia aumentava. Aos 41 um alento de esperança com a entrada de Jesus, o Dátolo. Um pouco mais de clarividência, mas o tempo já era escasso para um milagre. O juiz daria 5 minutos de acréscimo e os zagueiros viraram centroavantes. 45, 46, 47, 48 minutos. Era bate e volta, chutão do meio campo bola rebatida pela defesa do São Paulo, o grito de eu acredito não tinha tanta força, a torcida sabia que o time carecia de criatividade. Aos 49 minutos o general Donizete foi expulso, era a estocada final, não teríamos força. Mas como tudo na vida do Atleticano, seja nas vitórias, seja nas derrotas é sofrido. Aos 51 minutos falta próxima a área.  Torcida se agitava, alguns viraram de costas, outros rezaram. Para a surpresa de todo Horto, Lucas Pratto foi para a cobrança. Correu, bateu, bola na lua. Terminou o jogo. A torcida saiu do Horto cantando o hino, não em uma demonstração de satisfação, muito pelo contrário: Nove em cada dez atleticanos querem a cabeça do técnico e não aprovam o jogo praticado no primeiro semestre. Mas em uma demonstração de amor à entidade, ao sentimento, ao Galo Doido desse Brasil.

Fonte: Cristiane Matos. Portal Hoje em Dia
Se o estimado leitor ainda estiver com alguma paciência para alguns parágrafos, concluo esse texto com o seguinte desabafo: Com sinceridade, se fosse elencar os motivos dessa eliminação na Copa Libertadores, e consequentemente a conclusão do primeiro semestre alvinegro, poderia falar de mil detalhes. Como por exemplo, a maldita bola parada no primeiro pau, lance pré-escolar que nos custou dois gols, tanto no Morumbi quanto no Horto; poderia falar das ausências de titulares importantes: Robinho, Urso e Carioca fazem falta, o primeiro uma referência técnica, os outros dois os pulmões do meio campo; como também de algumas escolhas (duvidosas) do treinador para esse mata-mata.

Contudo tais fatores são meros detalhes, a eliminação do Atlético na Copa Libertadores começou a acontecer entre novembro e dezembro do ano passado na demissão de Levir Culpi. Explico melhor: O Atlético de 2012, 2013, 2014 e 2015 se notabilizou por ser um time de extrema intensidade ofensiva: marcação alta, intensa troca de posições, jogadas em velocidade, valorização da técnica, da habilidade e da improvisação. É evidente que o modelo tinha falhas (sim o time tomava muitos gols, mas fazia na mesma proporção – viradas impossíveis aconteceram), como todo esquema tem, porém, era um estilo que a torcida havia se habituado e se identificava, visto que é do DNA do Galo.

Perguntem aos mais velhos como do time de 71, ou da máquina dos anos 80. O Atleticano aprendeu a amar o futebol jogado no ataque.

Dada a demissão do cara mais legal do futebol brasileiro, a Diretoria em uma aposta arriscada confiou à Diego Aguirre (nosso algoz na última Libertadores – mania incrível de contratar quem eventualmente já nos derrotou em outras oportunidades) a responsabilidade de guiar o clube ao bi campeonato da competição mais importante das Américas. Um erro enorme, gigantesco, colossal. Aguirre é técnico de uma escola defensivista, o mais puro estilo charrua, portenho, de se brigar, de se posicionar, de chamar o adversário, sofrer na defesa para em uma estocada ganhar o jogo. Tal concepção funciona quando você é inferior tecnicamente, quando não dispõe de material humano suficiente para propor o jogo.

Quero deixar bem claro aos amigos leitores que entendo o jeito do Uruguaio de ver futebol, entendo inclusive que o mesmo foi eficiente em aplica-la em outros contextos, como por exemplo, a campanha da Libertadores de 2011 com o Peñarol, quando Aguirre com um time pra lá de limitado alcançou a final. Só para se ter base o craque daquele time era um tal de Martinuccio, que convenhamos é um jogador fraco.

Venhamos e convenhamos, uma mudança tão drástica de metodologias de trabalho não poderia de maneira alguma ser frutífera em tão curto prazo. Primeiro por que os jogadores teriam que aprender um jeito de disputar o jogo que nunca lhes foi comum, isso requer tempo, não se faz em 4/5 meses, não se faz em uma Libertadores. Segundo por que o Atleticano, culturalmente, jamais entenderia ou entenderá o jogo do Uruguaio. Jamais vai tolerar que Patric, um lateral limitadíssimo, jogue na linha de frente pelo fato de ser um dos poucos ali que fazem a tal da recomposição com eficiência. Foi chiadeira o primeiro semestre inteiro, e vai ser chiadeira até o ano acabar (se o uruguaio aqui permanecer).

Fonte: Portal Super Esportes
Eu humildemente faço minha meia culpa, visto que por um momento na competição me aventou a possibilidade que essa mudança (futebol mais defensivo) poderia ser positiva, poderíamos ter uma defesa mais forte, porém acho que talvez fosse o torcedor falando mais alto que o analista. De fato eu queria que o Atlético fosse campeão por que sou atleticano e Aguirre era nosso técnico, mas no fundo no fundo sabia que não ia acontecer, que a tal cornetagem tinha certo fundo de razão, que os críticos contumazes tinham seu ponto. Eu apenas não queria reverbera-los por estarmos em um momento crucial da temporada e por achar que torcedor tem que torcer.

Se fosse fazer uma conclusão dessa história toda tomaria a licença Poética de Lulu Santos na icônica música Tempos Modernos. Nossa temporada não foi tão ruim, mas também não foi tão boa assim. Aguirre não te quero mal (você é um excelente técnico, mas para outros clubes, outros contextos), apenas não te quero mais.
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